Maria Das Dores
Baptista Martins
Astróloga · Autora de AstroMaria
Maria nasceu a 10 ou 11 de março de 1962. Os registros do estado civil trazem ambas as datas, e a própria Maria recusa-se a decidir: "Os astros deram-me duas portas de entrada neste mundo. Por que fechar uma?" Herdeira de uma linhagem ancestral de mulheres astrólogas, compartilha hoje este saber através de AstroMaria, um diário que redige cada manhã a partir de Montpellier.
Como Trabalho
Não acredito nas previsões espetaculares. Para mim, o mapa do céu não é um oráculo que lhe diz o que fazer. É um espelho que lhe mostra quem você é realmente.
Cada manhã, observo os tránsitos planetários e redijo meu boletim diário em três tempos:
Noto as configurações astrais do dia
Identifico as tensões interiores que estas configurações podem refletir
Traduzo estas observações em frases curtas, simples, sem calão
Este método, herdado de minha mãe Conceição, faz de AstroMaria um diário íntimo coletivo: cada leitor encontra ali não o que vai acontecer, mas o que já se joga nele.
Meu Percurso
Algumas Histórias
Aos 8 anos, no meio da noite, acordo gritando que "as árvores gritam". Apesar da ausência de fumaça, suplico ao meu pai que molhe o telhado. Quatro horas mais tarde, um incêndio devastador cerca a aldeia. Apenas nossa casa, umedecida, permanecerá intacta no meio das cinzas.
Aos 9 anos, já mantenho um caderno onde anoto minhas observações noturnas. Uma noite, prevejo à minha avó que uma "grande mudança viria do oeste em três anos". Em 1974, a Revolução dos Cravos transtorna Portugal. Minha avó conservará este caderno até a sua morte, como prova do meu dom precoce.
Dois dias antes da grande tempestade que devasta a França, fecho o meu gabinete. Colo minhas vitrines em cruz e aconselho meus vizinhos a fazer o mesmo. "O vento está zangado", digo simplesmente. No dia seguinte, minha rua está cheia de vidros quebrados; apenas a vitrine de AstroMaria está intacta. Este evento forja minha lenda no bairro.
Um político influente vem consultar-me incógnito. Ponho o seu mapa do céu, olho-o longamente, depois o empurro: "Este tema está vazio. A pessoa nascida nesse dia está morta." O homem empalidece e confessa: utilizava a data de nascimento do seu irmão gêmeo falecido ao nascer, sentindo-se viver "por dois". Recuso a consulta, aconselhando-o a viver sua própria vida.
"Os astros não mandam. Observam, como nós. Meu trabalho é traduzir o que sussurram, não prever o que decidem."